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Alguns mitos e verdades sobre o vinho

Tão vasto, complexo e repleto de sensacionalismos descabidos é o mundo do vinho. Não fossem alguns de seus postulantes o descomplicando, deselitizando e popularizando, por meio de uma didática cada vez mais objetiva e prática, o seu consumo seria ainda mais restrito e inexpressivo no nosso Brasil.

Em meio a todo essa confusão promovida por pseudo-conhecedores de plantão, com suas inverdades e meias verdades, gritadas aos quatro cantos, a conseqüência mais natural é o surgimento de crenças indevidas e de mitos, que só tendem a afastar cada vez mais o consumidor comum.

É preciso esclarecer que o vinho é, antes de tudo, um complemento alimentar, uma bebida criada original e funcionalmente para a mesa. Mas no mundo de aparências em que vivemos, a fama de algumas marcas (às vezes mais midiática do que meritória), e o status que isso proporciona nas mídias a quem delas faz uso, levam as pessoas a beberem rótulo e não vinho, e, o pior, a fazer uma associação direta entre qualidade e preço, como se todos percebessem qualidade pela mesma ótica, de forma padronizada.

Em resposta a essa crença cabe dizer que, em se tratando de vinho, preço não necessariamente está associado à qualidade. Outra confusão por parte do consumidor comum é acreditar que o termo Reserva ou Gran Reserva, estampado num rótulo, assegura alguma qualidade técnica independente do produtor e do país. Mas, especialmente no Novo Mundo, onde as leis que regem a produção do vinho são muito frouxas, estes termos tiveram seus sentidos banalizados, e o que deveria significar tempo de maturação em carvalho ou tanque virou uma parola de apelo meramente comercial.

Há também os puristas que classificam de zurrapa qualquer vinho (indiferente a sua eventual qualidade) apenas porque estes não trazem como vedante um rolha de cortiça natural, ignorando que o vinho é também um negócio, que a cortiça é algo cada vez mais caro e raro no planeta, e que há que se pensar também na sustentabilidade.

Há crenças inclusive perigosas, como a de atribuir ao vinho benefícios irrestritos a saúde, quando na verdade parte das benesses dessa bebida restringem-se em especial aos tintos, por contar com as cascas, ricas em polifenóis, utilizadas em sua elaboração, mas não sem que antes o consumo seja moderado (uma equação difícil de definir), regular e durante as refeições, e obviamente que por pessoas sem qualquer restrição a ingestão de álcool, isso para não falar da industrialização do vinho que o vem tornando cada vez mais impecável do ponto de vista estético, mas cada vez menos natural e saudável.

Fonte: Vinho & CIA

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